Quanto mais você resolve, menos espaço sobra para alguém aprender a resolver.
Existe um tipo de liderança que parece excelente de fora — mas que, no fundo, pode estar travando o crescimento de quem está ao redor. Não por falta de cuidado. Justamente pelo excesso dele. Quando você resolve tudo rápido, quando…
Existe um tipo de liderança que parece excelente de fora — mas que, no fundo, pode estar travando o crescimento de quem está ao redor. Não por falta de cuidado. Justamente pelo excesso dele.
Quando você resolve tudo rápido, quando está sempre disponível para apagar incêndio, quando nunca deixa um problema sem resposta — você pode estar, sem perceber, ocupando um espaço que poderia ser de outra pessoa.
Esse espaço não é físico. É o espaço do erro, da decisão difícil, da situação que ninguém sabe exatamente como resolver. É nesse espaço que as pessoas costumam crescer mais. E enquanto você estiver dentro dele, pode ser que elas não entrem.
A boa intenção, nesse caso, talvez seja o próprio problema. Quase ninguém trava o desenvolvimento do time por descuido — trava porque quer ajudar, porque tem pressa, porque é mais fácil fazer do que ensinar. Mas ajudar em excesso, todos os dias, pode acabar ensinando algo que ninguém disse em voz alta: que o time não precisa aprender a resolver, porque você sempre vai estar lá.
Tem um sinal disso que é relativamente fácil de identificar. Quando um problema aparece, quem o time procura primeiro? Se a resposta for sempre você — mesmo quando existe alguém que deveria estar no centro daquilo — pode valer a pena se perguntar o que esse comportamento está dizendo sobre o espaço que você está deixando.
Dar um passo atrás não é abandono. Não é largar o time à própria sorte nem desaparecer nos momentos difíceis. É uma escolha consciente de não ser sempre a primeira resposta. É deixar que outra pessoa sinta o peso da decisão, encontre o caminho, e aprenda com o que acontece depois.
Isso incomoda — e é normal que incomode. Existe um certo conforto em ser procurado, em ser a peça que resolve o que os outros ainda não conseguem. Abrir mão disso de propósito mexe com qualquer líder. Mas talvez seja justamente aí que esteja parte do crescimento.
O que muda quando você sai da frente vai além da pessoa que está sendo desenvolvida. O time inteiro recebe uma mensagem diferente: que errar faz parte, que aprender é permitido, que não é preciso ter a resposta certa antes de tentar. Esse clima não se constrói com discurso — ele se constrói com atitude.
O que muda quando você sai da frente vai além da pessoa que está sendo desenvolvida. O time inteiro recebe uma mensagem diferente: que errar faz parte, que aprender é permitido, que não é preciso ter a resposta certa antes de tentar. Esse clima não se constrói com discurso — ele se constrói com atitude.
Então, se você está lendo isso e pensando em alguém do seu time que poderia estar ocupando um espaço maior, talvez a pergunta não seja ‘essa pessoa está pronta?’
A pergunta pode ser outra: você está pronto para dar espaço a ela?
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